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Como as Ciências Cognitivas contribuem para a Alfabetização?

Você sabe o que são as Ciências Cognitivas? 

Os termos Ciência Cognitiva ou Ciências Cognitivas aparecem como possibilidades para designar o estudo da mente e do cérebro humano. Seu foco está em como a mente representa e manipula o conhecimento, além de estudar como as representações e processos mentais são realizados no cérebro.

A palavra “Cognição” vem do Latim, “cognitìo, ónis”, e significa o “ato de conhecer”. Por isso podemos dizer que a Ciência Cognitiva é aquela que se preocupa com o entendimento sobre como nós podemos conhecer, ou seja, aprender e usar o conhecimento. 

É mais comum encontrarmos o termo Ciências Cognitivas no plural. Elas são apresentadas dessa forma, porque são interdisciplinares, uma vez que englobam diversas áreas do conhecimento: as neurociências, a psicologia, a linguística, a filosofia e a inteligência artificial. 

Pesquisadores dessas áreas utilizam diferentes metodologias e explicações teóricas, mas todos com um mesmo objetivo: as Ciências Cognitivas pretendem compreender como a mente humana adquire e processa conhecimento. 

Por esse motivo, a Educação é um dos principais campos de atuação e interesse das Ciências Cognitivas. Precisamos do olhar atento de diversos especialistas, sejam neurocientistas, psicólogos e linguistas, para que as muitas formas de aprendizagem sejam compreendidas e potencializadas.

E, quando pensamos na Educação, uma área que merece bastante atenção é a Alfabetização. 

Você imagina como a Ciência Cognitiva pode contribuir para a Alfabetização?

Relatório Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências, lançado em Abril de 2021, dedicou um capítulo a este assunto. Os autores apresentam que um ramo específico das Ciências Cognitivas é a Ciência da Leitura, que tem se desenvolvido mais nas últimas décadas e ajudado a entender como melhorar a alfabetização. 

Por meio da Ciência da Leitura, os pesquisadores estudam o processo de aprendizagem de leitura e escrita com a finalidade de que o ensino delas seja mais eficiente. Desde então, muitas descobertas que impactam diretamente no processo de ensino e aprendizagem foram feitas.

Quer um exemplo? Já foi descoberto que ainda não houve tempo de o cérebro humano ser biologicamente preparado para aprender a leitura e a escrita como foi para a linguagem oral, por serem criações humanas “recentes”. Na prática, isso significa que aprendemos a falar de modo relativamente fácil e espontâneo, mas nós precisamos aprender de forma explícita e sistemática a ler e a escrever.

Existe uma idade certa para alfabetizar?

As descobertas das Ciências Cognitivas também levam os profissionais a olharem para a infância de outro modo. Sabemos hoje que as crianças podem fazer muito mais do que se pensava anteriormente. 

Além disso, também sabemos que não existe uma idade certa para se alfabetizar, a idade não é determinante para que uma criança possa aprender a ler e escrever, mas sim o conhecimento e o uso que elas fazem das relações entre letras e sons. 

Isso significa que a decisão sobre a idade certa para alfabetização vai depender da complexidade da ortografia e de cada idioma. Sistemas de escrita mais transparentes, isso é que as relações entre letras e sons são mais simples, exigem menos das crianças do que sistemas mais opacos nos quais as relações entre letras e sons são complexas. 

Desse modo, uma criança aprendendo a ler e escrever em espanhol (transparente) terá mais facilidade do que em português (intermediário) e do que em inglês (opaco). 

Nesse sentido, as Ciências Cognitivas apontam que, entre 6 e 7 anos, as crianças já desenvolveram habilidades de comunicação oral e cognitivas, as quais são essenciais para o processo de Alfabetização. Esse é um dos motivos pelo qual tantos países apontam essa idade como a ideal para alfabetizar.

Alguns países podem começar mais cedo ou mais tardiamente de acordo com as complexidades de sua ortografia e necessidades de suas crianças.

Leia também: Qual é a idade certa para alfabetizar uma criança?

A importância da consciência fonêmica e do conhecimento fônico

Se você convive com uma criança sendo alfabetizada hoje, vai perceber que o processo é diferente daquele vivenciado por você. Talvez você pense que o processamento visual seja a parte mais importante no processo de alfabetização. Afinal, para ler é preciso ver as letras, mas as pesquisas mostram que pouco tempo depois de ver as letras, nosso cérebro processa as informações como se fossem ouvidas. 

Com a Ciência da Leitura, o entendimento sobre a Alfabetização mudou e colocou em evidência a importância do processamento fonológico, mais especificamente da consciência fonêmica e do conhecimento fônico

Para que a criança seja alfabetizada, é essencial que ela compreenda a relação entre fonemas e grafemas – ou seja, entre as menores unidades de sons (fonemas) e as letras e demais sinais que os representam. Esse é o chamado conhecimento fônico que não deve ser confundido com um método de alfabetização, é apenas o conhecimento sobre as relações entre fonemas e grafemas, portanto, essencial em quaisquer métodos de alfabetização. 

Mas, antes de entender como as letras representam sons (fonemas) é muito importante que as crianças possam aprender a perceber e segmentar a fala em fonemas, o que se chama de consciência fonêmica. Quando falamos, escutamos sons de forma coarticulada como se fossem um único fluxo de fala. Porém, cada frase falada é composta por palavras e essas por sílabas, rimas e fonemas. Os fonemas são as menores unidades de som e o objetivo dos sistemas alfabéticos de escrita. Usamos letras para representar os fonemas. 

Na verdade, o cérebro precisa se readequar durante a Alfabetização, e isso leva tempo. Desde que nascemos, normalmente somos estimulados com sons falados de forma coarticulada. Porém, na fase de Alfabetização, é preciso levar a criança a perceber como a fala pode ser segmentada em diferentes unidades fonológicas, perceber e aprender como as letras podem representar esses sons.. O cérebro precisa processar e integrar informações auditivas, visuais e linguísticas, o que naturalmente requer tempo e prática.

O que as Ciências Cognitivas ainda podem fazer?

A Alfabetização é uma preocupação mundial, ainda mais depois da pandemia de Covid-19. As Ciências Cognitivas contribuem orientando a Educação, o que certamente impulsiona a Alfabetização.

Você já conhecia as Ciências Cognitivas? O resultado desses estudos já conduziu suas atividades em sala de aula? Comente aqui embaixo.

Referências

Reading Rockets. Free Reading Guides. Disponível em https://www.readingrockets.org/guides Relatório Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências [recurso eletrônico] / organizado por Ministério da Educação – MEC ; coordenado por Secretaria de Alfabetização – Sealf. – Brasília, DF : MEC/Sealf, 2020. Disponível em https://www.gov.br/mec/pt-br/media/acesso_informacacao/pdf/RENABE_web.pdf

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