Por que a ausência de consciência fonêmica nos parâmetros do MEC preocupa especialistas
Renan Sargiani alerta que medir alfabetização apenas pela proficiência em língua portuguesa do Saeb não captura o que é, de fato, aprender a ler.

O que está em debate
Em 2023, novos parâmetros de alfabetização definidos pelo MEC, no âmbito da pesquisa Alfabetiza Brasil, geraram preocupação entre especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo. O ponto central: o critério adotado define como alfabetizado o estudante que atinge determinada pontuação em língua portuguesa na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb.
Para o Prof. Dr. Renan Sargiani, presidente do Instituto Edube, essa escala avalia língua portuguesa, não alfabetização propriamente dita. Ele considera que faltam objetividade e critérios claros para distinguir, com precisão, quem já lê de quem ainda não lê.
A questão da consciência fonêmica
Sargiani destaca ainda a ausência de referência à consciência fonêmica nos novos parâmetros, algo que considera um problema à luz das evidências. A consciência fonêmica, a capacidade de perceber e manipular os sons da fala, é um dos previsores mais fortes do sucesso na leitura, e sua presença ou ausência num marco de política de alfabetização não é um detalhe técnico menor.
A crítica não é a favor de um método específico, mas a favor de critérios ancorados no que a pesquisa mostra. É esse o princípio que o Edube defende: política pública calibrada por evidência.
Aprofunde o tema
Para entender por que a consciência fonêmica é tão decisiva, leia também nossos artigos sobre consciência fonológica e sobre avaliação da alfabetização.
"Essa escala, na verdade, avalia língua portuguesa, não avalia alfabetização."
Prof. Dr. Renan Sargiani
Fonte: reportagem da Gazeta do Povo, “Parâmetros vagos e ideológicos de alfabetização do MEC preocupam especialistas” (26/07/2023). Imagem de capa ilustrativa (Instituto Edube).
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