Instituto Edube
← Blog
NotíciaAlfabetização e Literacia

A importância da escrita à mão numa era cada vez mais digital

Para Renan Sargiani, a escrita à mão fortalece o mapeamento ortográfico e a fluência: ao traçar as letras, a criança integra sistemas cognitivo, linguístico e motor.

Instituto Edube 05/05/2026 2 min de leitura
A importância da escrita à mão numa era cada vez mais digital

Uma prática que perde espaço, e não deveria

Com celulares, tablets e computadores cada vez mais presentes, a escrita à mão vai perdendo espaço na escola e na vida adulta. Uma reportagem da revista Yvirá, publicação da Rede CpE ligada à Cátedra UNESCO de Educação e Diversidade Cultural, ouviu especialistas para entender por que vale a pena resgatar esse hábito, e o Prof. Dr. Renan Sargiani, fundador do Instituto Edube, foi uma das vozes centrais.

Por que escrever à mão ajuda a ler e a escrever

Sargiani explica que a principal tarefa de quem aprende a ler e a escrever é o chamado mapeamento ortográfico, a conexão entre letras, seus sons e os significados das palavras. Para construir essa conexão, não basta a prática visual, auditiva ou falada: a grafomotricidade, o ato de traçar a letra com a mão, também é decisiva.

Segundo ele, estudos comportamentais e cognitivos indicam que a criança que pratica a escrita à mão tende a recuperar melhor os sons das palavras, a escolher os grafemas certos e a produzir a forma correta da letra. Escrever à mão, portanto, fortalece a aprendizagem das letras e ajuda a integrar os sistemas cognitivo, linguístico e motor.

Fluência da escrita, a parte esquecida

O especialista lembra que, desde os anos 1980, o Brasil olhou muito para a escrita, mas pouco para a fluência da escrita, que se desenvolve principalmente com a prática manual. Escrever à mão exige planejar a palavra, o traçado, a pressão no papel, o espaço na folha, e esse processo prepara a criança para se tornar, no futuro, alguém que escreve com fluência, inclusive no computador.

Ele destaca ainda que anotar à mão em aulas e palestras favorece a retenção: ao registrar o que se ouve, o cérebro faz uma espécie de reensaio do conteúdo.

Do modelo à autonomia

Sargiani defende ensinar a escrita com planejamento, e não com cópia. Uma técnica que ele recomenda é a liberação gradual de responsabilidade: primeiro o professor faz o modelo (“eu faço”), depois escreve junto com a turma (“nós fazemos”) e, por fim, os alunos escrevem (“vocês fazem”), com retorno corretivo que valoriza o que a criança produziu e mostra como melhorar. E vale para todas as disciplinas, não só na alfabetização inicial.

Aprofunde o tema

Leia nosso artigo sobre como escrever ajuda a ler e sobre fluência de leitura.

"A escrita manual exige planejamento, envolvendo processos cognitivos, linguísticos e motores."

Prof. Dr. Renan Sargiani

Fonte: reportagem de Elisa Martins para a revista Yvirá (Rede CpE / Cátedra UNESCO), edição nº 6, abril/maio de 2026, com entrevistas a Renan Sargiani, Maria Regina Maluf, Mariluza Lucchese e Alexandre Tadeu Rosa. Leia em yvira.org. Imagem de capa ilustrativa (Instituto Edube).

#escrita à mão#grafomotricidade#mapeamento ortográfico#fluência da escrita#alfabetização

Continue lendo

Receba nossos artigos

Assine a newsletter e receba conteúdos sobre educação baseada em evidências.

Conheça os cursos

Formação continuada, minicursos e certificações com base científica.

Ver cursos